O Estudo Platino (Projeto Latino-americano para Investigação da Doença Obstrutiva Pulmonar) foi idealizado com o objetivo de avaliar a prevalência da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) na América Latina. De 2002 a 2004, equipes percorreram as cinco principais capitais das Américas em busca de pacientes com DPOC, diagnosticando a doença por meio de espirometria e também orientando quanto à prevenção e tratamento.
De acordo com o dr. Oliver Nascimento, sub-investigador do Estudo Platino em São Paulo e vice-presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), a primeira fase incluiu, por meio de sorteio, 1100 domicílios da capital e Grande São Paulo, com 24% de entrevistados fumantes.
“Tivemos naquele ano uma prevalência de 15,8% de DPOC entre os indivíduos com mais de 40 anos de idade. Destes, 88% estavam doentes e não sabiam”, revela.
A primeira fase incluiu grupos também em Santiago (Chile), Montevidéu (Uruguai), Caracas (Venezuela) e Cidade do México (México).
A segunda etapa já passou por Santiago e Montevidéu e, desde 12 de dezembro, desenrola-se em São Paulo. Por aqui, a meta é encontrar as mesmas pessoas que participaram da primeira fase e reavaliá-las.
“Queremos saber como elas estão. No caso das já diagnosticadas com DPOC, se estão se tratando e como vão de sua saúde hoje; também estamos verificando se surgiram novos episódios da doença entre os demais e até mesmo eventuais mortes decorrentes”, explica dr. José Roberto Jardim, investigador principal do Estudo Platino em São Paulo
As equipes responsáveis por esta segunda avaliação no Brasil são formadas por voluntários ligados à Escola Paulista de Medicina/Hospital São Paulo.
“Nossa expectativa é encontrar a grande maioria das pessoas avaliadas, mas infelizmente não sabemos os dados que teremos. Se tratados corretamente, os pacientes identificados com DPOC possivelmente estarão melhor do que há 8 anos, quando não estavam recebendo qualquer tratamento, nem mesmo sabiam de sua condição”, explica dr. Oliver.
Ainda que a DPOC seja uma doença sem cura e progressiva, o correto tratamento tem a capacidade de aliviar os sintomas respiratórios e reduzir a progressão. “Por este motivo é tão importante que o diagnóstico seja feito o quanto antes, e que o tratamento seja realizado corretamente. Assim, é possível obter bons resultados e oferecer mais qualidade de vida aos pacientes”, afirma dr. Oliver.
Ainda nesta etapa, adianta dr. Jardim, os indivíduos sem a doença também voltarão a ser avaliados, para verificar se continuam saudáveis ou se porventura desenvolveram a DPOC.
“Todas as pessoas ouvidas na fase anterior não apenas receberam orientações sobre a saúde respiratória, como também para procurar um médico em caso de surgimento de sintomas futuros”.
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