Em três décadas, vírus HIV infectou mais de 600 mil pessoas no Brasil
No Brasil, mais de 600 mil pessoas foram contaminadas pelo vírus HIV em três décadas. O total de portadores do agente causador da Aids é um dos dados do Boletim Epidemiológico 2011 divulgado pelo Ministério da Saúde no início da semana, antecedendo o Dia Mundial de Combate a Aids - 1 de dezembro. Entre julho de 1980 e julho desse ano, aponta o documento, foram identificadas no país 608.230 pessoas portadoras do HIV. Atualmente, registra o boletim, 0,61% da população brasileira na faixa entre 15 e 49 anos tem Aids.
A região Sudeste (que é também a mais populosa) é onde foi registrado o maior número de ocorrências no período de três décadas: 343.095, equivalente a 56,4% dos casos já contabilizados. O registro de novos casos no país apontou uma ligeira redução entre 2009 e 2010: de 35.979 para 34.212. O número de mortes também foi reduzido: de 12.097 para 11.965. No ano passado, a região Sul foi a que teve a maior taxa de incidência: 28,8 casos para cada 100 mil habitantes. De acordo com o boletim, a faixa etária entre 35 e 39 anos é onde ocorre maior incidência do HIV.
O Ministério da Saúde atribui a estabilização no número de novos casos aos investimentos que o Sistema Único de Saúde (SUS) vem fazendo na prevenção e na testagem , além de proporcionar o acesso ao tratamento antirretroviral, bem como à capacitação dos profissionais de saúde. “O Brasil segue a tendência mundial de redução de casos e óbitos ao longo dos anos. As pessoas estão vivendo mais e melhor com a doença, graças ao acesso aos medicamentos”, avaliou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
No que se refere à taxa de mortalidade em razão das complicações decorrentes da doença, o boletim também registrou queda. Em 12 anos, essa taxa a baixou de 7,6 para 6,3 a cada 100 mil pessoas. Chama porém a atenção no Boletim, públicos específicos onde tem havido aumento no registro da infecção pelo HIV –é o caso dos gays jovens (na faixa entre 15 e 24 anos) onde houve aumento de 10,1% no número de casos, quadro que levou o ministério a focar esse público na campanha de prevenção contra a doença que, por isso, adotou esse ano o seguinte slogan: “A Aids não tem preconceito. Previna-se”.